O Chamado de Nettor

“Nós ainda temos uma chance.” – uma voz fraca e suave veio de trás de nós no quarto onde Albano estava sendo tratado. Uma garça trajando vestes de Craftsmir passou pela porta e veio ao nosso encontro.

“Me chamo Freena e sou uma das poucas habitantes de Craftsmir que conseguiu escapar do tremor. Sou descendente de Emmarin e é chegada a hora de um novo retrato ser feito para eternizar nosso novo rei em nossa busca por salvar este mundo. E para isso, precisamos retomar Craftsmir.”

Eu sabia o que tinha de ser feito.Desci ao santuário de Mithaurian, me conectei com a energia Starun e falei a todos os Verge que agora estavam cientes de sua existência.

“Eu sou Nettor, descendente de Malthus, o primeiro dos Novos Verge. Chamo a todos para se unirem a mim em Mithaurian e despertarem heróis para sí. Treinaremos em Arcada e em seis meses partiremos para retomar Craftsmir.Nosso inimigo deve começar a nos temer. Nosso rei necessita de nosso apoio. Nosso mundo necessita de nosso poder.”

A Queda de Albano

Mas em tempos difíceis uma boa notícia sempre vem acompanhada de uma má notícia. Assim que concluímos nossas descobertas ouvimos o portão abrir e diversos gritos por ajuda inundaram a biblioteca. Subi junto dos soldados que estavam conosco e encontrei Neeno um pouco ferido e banhado em sangue Yrian carregando Albano gravemente ferido cercado por seus soldados.

Sem demora abrimos a porta para o santuário e levamos Albano a Mithaurian junto com todos os soldados. Chegamos a tempo dos médicos fecharem os ferimentos com ataduras corretas e ministrarem remédios e ervas para deixá-lo estável. Sua idade avançada agora pesava contra sua saúde.

“Ele não tem como melhorar.” – disse Neeno – “Fomos atacados por Yrians corrompidos pela energia negra. Ela agora está dentro do rei. Ele não mais será capaz de lutar e seus dias não devem passar de um ano.”

As 12 Portas

Finalmente conseguimos desvendar o segredos por trás das portas. Desenhos complexos precisavam ser feitos com Starun para energizar a porta, uma vez que os altares em frente a elas não possuíam cavidades. O Starun não precisa ser consumido e esta era uma grande notícia. Fizemos os mais variados testes com a porta da biblioteca e a porta do Santuário das Portas e chegamos a conclusão que um Verge com uma lasca de Starun já era capaz de ativar a porta.

Mapeando as que conseguimos ativar, fomos à Spellenrune buscar alguns sábios para nos auxiliar a decifrar os símbolos que estavam não apenas em uma linguagem antiga, mas também em código. Com uma semana dura de trabalho conseguimos descobrir o nome de cada uma das portas.

O Santuário dos Heróis em Mithaurian, A Forja em Technokrest, O Hall dos Títulos em Spellenrune, O Ateliê em Craftsmir, A Oficina em Basiliah, O Laboratório em Agadeera, o Armorial em Grymill, A Sala das Portas em Arcada, A Biblioteca dos Antigos também em Arcada e mais três locais fora de cidades chamados A Torre da Magia, O Cativeiro de Monstros e O Templo de Myridian.

A Busca pelas Gemas

Voltando pela escuridão até a área comum de Arcada, encontramos os Verge e os soldados carregando livros para todos os lados por falta de mesas no andar superior. Contei a todos o que vi, desenhei os símbolos que estavam no alçapão e o símbolo de Malthus em pergaminhos vazios. Dividi tarefas para procurarmos tanto a porta que supostamente levaria para o santuário abaixo de nós quanto para encontrar informações de como utiliza.

Neeno e Albano passaram a montar guarda do lado de fora e combater eventuais patrulhas de Yrians procurando por nós, para evitar que chamássemos mais atenção para esta construção.

Eis que um dos soldados que participavam das buscas pela porta encontrou um baú com o símbolo do alçapão, repleta de gemas com a capacidade de infusão de Starun. No fundo da caixa havia um livro com instruções para ativação do que parecia uma sala de treinamento.

“Aqui em Arcada fica a base para treinamento de Verges que pretendem se unir a heróis. A Busca pelas Gemas é um exercício de sincronização entre o Verge e o Herói para preparar tanto mente quanto corpo para as batalhas nas quais participarão.

Malthus Prudens Aluminium”

O Santuário das Portas

“Um rei de Mithaurian nunca se perde é o que Carlo sempre dizia” – disse Neeno enquanto todos olhavam para uma enorme caverna esculpida por poderes ainda desconhecidos para a equipe.

Deixei que os Verge que vieram comigo à Arcada ficassem na biblioteca pesquisando. Parti com Neeno e Albano para o subsolo da Biblioteca dos Anciões por túneis com a atmosfera mais densa que pela qual já passei. Túneis de uma escuridão tão impenetrável que nossas tochas apenas nos forneciam uma penumbra suave. Por mais que Neeno nos dissesse que estávamos a apenas uma hora ali, eu me sentia como se dias tivessem passado.

Chegamos em um enorme átrio com candelabros para Starun que não hesitei em acender. Doze altares em frente a portas de madeira entalhadas, um grande alçapão no centro e apenas um símbolo para cada porta esculpido nas paredes. A madeira do alçapão é entalhada também e nada mais.

“Sei que uma porta dá acesso à biblioteca sobre nós e provavelmente deve ser a da direita, com o símbolo de Malthus. Mas não sei ler os símbolos.” – Neeno dizia enquanto andava pelo salão.

Logo minha próxima missão é descobrir como ativar as portas e do que se trata este alçapão.

A Biblioteca dos Anciões

Por algum motivo nossos inimigos conheciam tanto este lugar quanto nossa localização. Não creio que apenas sorte colocou Albano e Neeno em nosso caminho, uma vez que tivemos embates terríveis contra Yrians próximo às praias banhadas pelo rio Hondur.

As areias da porção norte do continente que são banhadas pelo mar do norte Algaro são brancas e frias. Mas nunca tinha ouvido falar das dunas que agora visitávamos. Montes de areia de vários metros de altura que poderiam ocultar castelos e fortalezas.

Neeno me solicitou a usar um pouco de Starun na areia, revelando diversos símbolos e runas. Um dos Verge conosco acompanhou os desenhos até uma pequena rocha com uma cavidade. Ao energizá-la uma enorme torre se revelou diante de todos, com mais de 40 metros de altura, um grande portão de aço reforçado e mais dos diversos símbolos em rúnico antigo.

Tão logo quanto Albano e Neeno forçaram a porta, nós Verge sentimos Starun vindo de dentro da torre. Esta energia foi capaz de iluminar a maior coleção de livros que qualquer Merid ou Verge já vira, dezenas de vezes maior que a biblioteca do Templo Principal de Spellenrune. No centro dela uma grande estátua de cristal, com o tamanho equiparável apenas à altura de Tusk.

“Esta é a Biblioteca dos Verge e este era Malthus. Atrás de sua estátua está o acesso aos andares inferiores com dormitórios e salas de convivência e em algum lugar lá embaixo, a passagem para a sala das portas” – explicou Neeno.

Arcada, o Palácio dos Verge

Montamos uma equipe com soldados, Verge e máquinas de Technokrest fortes o bastante para nos levar ao sul, passando o cinturão de árvores de Mithaurian e novamente invadindo as planícies rochosas que cercam a cidade das máquinas.
Uma parada breve para abastecer nossos suprimentos e armamento nos fez encontrar com Albano e Neeno. Estava ferido e remendado, mas imponente como sempre.

“Caro Nettor, precisamos de seus serviços em Mithaurian. Novos Cristais Runa logo estarão prontos para podermos despertar os retratos que vieram de Spellenrune.”

“Encontramos mais conhecimento meu rei. Estamos partindo para o sudeste em busca de uma construção usada pelos antigos Verge…”

“…chamada Arcada.” – me interrompeu Neeno, sua voz era quase um sussurro – “Me lembro desde local jovem Nettor. Sua entrada está selada por magia antiga, você irá precisar da minha ajuda. Este templo conecta todos os outros que tenham sido tocados por Starun novamente. Com isso conseguiremos viajar entre a forja, o santuário e o hall dos títulos sob Spellenrune sem problemas.”

“Não costumo gostar de surpresas.” – disse Albano – “mas aparentemente nosso melhor plano é este. Vou reunir minha tropa e partir com vocês. Para Arcada!”

O Grande Atlas de Myridian

Enfim preciso registrar que encontramos um objetivo. Dos textos complexos escritos em rúnico antigo conseguimos a descrição do local onde os próprios Verge guardavam seu conhecimento. Descrições de duas grandes moradas banhadas pelo rio Hondur protegidas por esculturas feitas com magia misturadas com formas naturais que as ocultam na paisagem. Além disso temos as coordenadas dessas construções que parecem ser incríveis pelos textos.

Consultamos o Grande Atlas de Myridian e após fazer uma cópia fiel do mapa, marcamos as duas possíveis chances de encontrarmos mais capítulos do incrível Livro das Eras. O problema é que uma delas fica além de Grymill, terra há muito tempo devastada tanto pelos desastres naturais quanto por saqueadores em busca de recursos. Teremos que nos contentar com a segunda, localizada ao sul de Technokrest.

Myrandium, o Livro das Eras

Parei para descansar e escrever algo. Minha cabeça lateja com a quantidade de informação adquirida nestes últimos dias. Espero que os Verge que ficaram na Forja e no Santuário sob Mithaurian estejam avançando também. Com muito trabalho, separamos centenas de páginas de seus lugares procurando pelas mesmas marcas que Carlo me disse que existiam. Unidos, não são mais que um capítulo. Não sabemos nem quantos são, nem que a que parte pertence.

Mas temos três vezes mais informações do que antes. A expectativa entre nós que estávamos pesquisando é que tenhamos descoberto locais para encontrar o restante. Há descrições incríveis de um local aparentemente importante para os antigos. Alguns de nós também reconheceram o nome do documento que estamos tentando recuperar. Myrandium, o Livro das Eras.

Mensagem do Campo de Batalha

Encontramos mais Starun.

Nossos dias tem sido exaustivos, nossas forças pouco capazes de manter o inimigo longe e nosso avanço com o muro tem sido ineficiente. Albano agora usa minha lança para conseguir ferir as criaturas do subsolo, porém elas estão longe de ser nosso maior problema. Há outras criaturas que despertaram com o Starun espreitando ao nosso redor.

Precisamos dos retratos de Spellenrune. Precisamos que sejam despertos. Estamos mandando o que coletamos de Starun para a Forja em Technokrest na manhã do décimo quarto dia dentro das florestas. Albano está com a carga e está acompanhado por Neeno. Donna se manterá ao meu lado para protegermos a obra do muro. Avançaremos o quanto for possível.

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