Mês: agosto 2018 (Page 1 of 2)

O Primeiro Revés

O Starun disponível era o necessário para executar três rituais mais tarde nesta noite. E enquanto estávamos nos preparando, o tão aguardado carregamento chegou. A escavação agora estava esgotada. Aquela era a única área que encontramos que fora destruída por desastres naturais. Então teríamos de dar nosso melhor com este último estoque até encontrarmos uma nova concentração de lascas para extrair novamente.

O comboio estava próximo dos portões de Mithaurian quando de repente escutamos um urro ensurdecedor. Tusk avançava em carga contra as tropas, o que deixou os guardas confusos. Eles pensaram estar em algum tipo de emboscada então firmaram-se no chão aguardando que ele se unisse à eles. O desapontamento foi enorme após ele atropelar todos os soldados em um piscar de olhos. Próximo a eles estava Hertanyth. Enquanto reforços se preparavam e deixavam Mithaurian para combater Tusk, Hertanyth tomou controle do carregamento e partiu. Tusk manteve seu posto o bastante para Hertanyth sumir à distância e então desapareceu. Os soldados que foram designados para detê-lo ficaram petrificados enquanto ele andava de um lado para o outro esperando as carroças sumirem.

Dizem que a expressão do olhar de Tusk era de tristeza e desapontamento, mas ele não exitaria em destruir qualquer um que ameaçasse tentar passar por ele. Albano está desiludido, tanto quanto todos nós. Precisamos repensar em como usar o restante de Starun, e também preparar nossos heróis para lutar contra um deles mesmos caso cheguemos a este ponto. O que pode ter levado Hertanyth a tal feito?

Lendas de Spellenrune e Technokrest

Depois que rumores de heróis mitológicos saindo de pinturas sagradas se espalhou por Myridian, os guardas de Albano passaram a ter trabalho com camponeses de todas as partes. Qualquer um que tivesse um retrato pendurado em uma parede e acreditasse que uma criatura mística estava pronta a sair dele decidiu nos trazer o tal item.

Entretanto, nós tivemos notícias do alto templo de Spellenrune e eles nos enviaram uma caravana portanto dois retratos. O sumo sacerdote nos informou que eles tem registro de mais retratos localizados em outros templos que, para nosso infortúnio, já cairam.

Engenheiros de Technokrest também encontraram um. Estava oculto em uma das diversas câmaras da Forja. Também estamos esperando um novo carregamento de Starun. Está sendo extraído de uma escavação na área rural de Mithaurian, apesar de meus conselhos contrários a isso.

Esta noite devemos tentar invocar mais três herois, pois tanto minhas forças quanto a quantidade de Starun serão suficientes.

A Primeira Batalha, Levantem Novos Herois

O poder das lendas vai além do que se pode acreditar. Pensar que apenas dois deles derrotaram por volta de duzentos Yrians! Eles voltaram alguns dias mais tarde e trouxeram consigo Starun o bastante para que nós trabalhássemos nas invocações dos outros dois Primeiros. Dona Flecha-Ambar e Neeno Lua-Nova agora andavam entre nós.

Eu nunca me senti tão poderoso, mesmo que esgotado. Cada vez que executávamos um ritual minhas juntas e músculos ardiam. Isso me consome. Mas preciso continuar… Há tanto a ser feito que tem se tornado difÍcil encontrar tempo para escrever estas linhas pelo bem da história!

E agora eu extremamente preocupado com a visão das coisas que Hertanyth tem… Ele parece ter um gosto pela guerra e pelo poder… Conseguir recursos e aumentar a força de Tusk é tudo sobre o que tem falado ultimamente. Ele aparenta estar lutando uma guerra para sí apenas… Ele está fora no campo de batalha novamente… Ele poderia ficar aqui e ver através dos olhos de Tusk mas prefere sentir o cheiro do sangue dos Yrians derrotados…

Hertanyth desperta o segundo Herói

Após aprender o que houve, não restavam dúvidas que precisaríamos invocar novos heróis. Com o passar dos dias, os guardas de Albano nos apresentavam mais Verge recém despertos. Eram dúzias agora e a presença de mais Starun a nossa volta os ajudou a ampliar sua percepção e começar a manipular a energia do Fluxo. Porém eu ainda não estava convencido que extrair Starun era a escolha mais sábia. Se estávamos sendo capazes de tirá-lo da terra, significava que o Selo daquela área fora destruído. Que poder teria feito tal coisa?

Nós chegamos a conclusão que o rinoceronte que Hertanyth nos descreveu era com certeza um Primeiro tentando voltar ao mundo. Já que tínhamos Starun e Verge suficiente, um segundo ritual poderia ser executado. Eu tinha que liderar o grupo uma vez que era o único que podia e sabia como. Mas desta vez Hertanyth ficou no altar. Sua fusão foi bem diferente da minha. Enquanto eu não senti nada além de paz durante o processo, Hertanyth estava com muita dor. Foi muito trabalhoso e nós sentimos que ele quase entrou em colapso quanto tudo finalmente aconteceu. Tusk Escudo-Nobre foi trazido a Myridian. Maior ainda que Carlo, em uma mão portava um martelo de batalha que nenhum Merid podia sonhar em levantar. Na outra mão, o Escudo Nobre. Um item mágico que parecia quase indestrutível. Adornado com símbolos rúnicos antigos. As marcas de batalha nele pareciam apenas arranhões e mesmo assim devem ter sido feitos por armas poderosas. Sua armadura brilhava em azul e prata, muito similar ao peitoral de Carlo. A maior parte de seu grande corpo musculoso era coberto por armadura.

“Eu protegerei vocês das tempestades que estão por vir!”

Ele estava pronto para começar a nos contar sua história quando fomos interrompidos por um guarda que invadiu a câmara. Ferido em batalha, foi escorado por Albano, e antes de cair inconsciente no chão ele nos disse algo que causou muita preocupação:

“Rei Albano, eram muitos deles! Fomos massacrados! A escavação… de baixo… monstros!!! Eram… tantos…”

“Ah, a primeira tormenta! Bem em tempo caros amigos!” Disse Tusk – e então ele e Carlo marcharam à batalha.

“Feliz em lutar ao seu lado mais uma vez, velho amigo!”, ele completou.

Livro III: A Primeira Grande Guerra – O Selo Mágico

Desde meu novo despertar ficou claro que outros como eu precisavam ser criados para termos uma chance contra o Fim. Então Malthus e Emmarin viajaram através da terra por meses tentando encontrar os maiores guerreiros de Myridian e montar um exército para derrotar as forças do mal. Tantas falhas….fortes candidatos cujas almas foram perdidas….Starun é tão perigoso quanto poderoso. Mas para nossa sorte algumas transformações foram bem sucedidas e não tardou a termos a primeira linhagem de heróis lendários. Nós éramos em oito e nossos poderes combinados conseguiam enfrentar praticamente qualquer ameaça. De Mithaurian, fui seguido por Donna Flecha-Ambar, Neeno Lua-Nova e Tusk Nobre-Escudo. De Spellenrune haviam Mirari Grimório-Verde e Garret Escama-Arcana. De Technokrest, Guill Mente-Nova e Fay Aço-Pena.

Cada vez que um primogênito é invocado, um Verge precisa estar conectado a ele para formar um modelo replicável. Aquele Verge só pode se conectar com um herói, pois suas mentes estariam permanentemente combinadas. Quando um Verge é unido a uma réplica, ele pode se conectar o tanto que seus poderes permitirem, desde que a consciência principal do herói esteja em outro lugar. Sempre é uma relação simbiótica. Se o Verge que está conectado ao primogênito morrer, todas as suas réplicas perderão sua estrutura e voltarão ao fluxo de Starun. Então um novo Verge precisa invocar um primogênito novamente e assim em diante. Eu sou o Primeiro Carlo desta era, então estou conectado a você, Nettor, e apenas a você.

Todo o Starun e os Verge disponíveis na época foram usados para montar o maior exército possível, e então partimos à guerra. Os Verge que ficaram para trás tinham a tarefa de encontrar e produzir novos heróis caso nossa incursão não fosse bem sucedida. Dezenas de novos de nós foram feitos pelos mais dignos. Nosso papel na guerra era entrar nas áreas danificadas e abrir caminho entre milhares de Yrians corrompidos. Eles fugiriam ou pereceriam. Uma vez que o perímetro ficou seguro, nós encontrávamos a fonte da energia negativa. Então o grupo ficaria de guarda enquanto o herói conectado ao Verge mais forte iria selar a fonte retornando uma grande quantidade – 6 gemas totalmente lapidadas – de Starun para a terra junto com uma conjuração e uma magia de proteção. O Starun criaria um selo mágico subterrâneo e fazê-lo tanto indetectável quanto impenetrável. Caso alguma força encontrasse um caminho para adentrar o selo, um Labirinto seria criado e desafios de Bravura seriam feitos. Falhar significaria a morte. Esta foi a forma de garantir que o Starun retornado ao solo não fosse extraído novamente.

Foram necessários alguns anos para restaurar o planeta todo. Houveram diversas casualidades e muito do que os cidadãos tinham foi perdido. Quanto mais áreas recuperávamos, menos Starun tínhamos para manter os heróis encarnados, portanto nossos exércitos tornavam-se menores a cada dia. E os Verge ficavam mais fracos uma vez que a disponibilidade de Starun era a fonte do seu poder. Havia um último selo a ser feito. As últimas 6 gemas. Eu era o único Herói restante e Malthus o último Verge que ainda conseguia manipular magia. Starun era necessário para conjurar a magia mas não havia mais. Malthus se certificou que a área isolada poderia prover a ele recursos suficientes para o resto de seus dias. Ele selou a si mesmo dentro da última fonte, e assim que desapareceu dentro da neblina da magia eu também parti. Havia muito a ser feito pelo povo. Um novo mundo a ser descoberto. Um sem magia. Do mundo velho, éramos os primeiros e os últimos. E este foi o fim da guerra.

Livro III: A Primeira Grande Guerra – Malthus Prudens Aluminium e os três desafios

Antigamente o mais sábio e poderoso Verge, Malthus foi o sumo sacerdote e líder entre os seus por décadas, um posto que resignou pelo bem maior. Sua obsessão pela origem de Myridian o enviou em uma jornada ao isolamento de onde foi forçado a retornar devido aos eventos de seu tempo. Ele passou anos viajando, pesquisando e juntando todo tipo de informação que conseguiu achar sobre O Livro das Eras, Myrandium. Dizia-se ser o livro mais antigo já escrito, em rúnico arcaico, e continha os segredos das origens de Myridian, muito antes dos primeiros Merids dos quais se tem notícia. Ele foi capaz de juntar informação o bastante para ter alguma pista do que fazer para ajudar.

Havia uma magia que poderia ser feita para criar heróis para lutar as batalhas que eles não eram capazes. Não era simples ou fácil e o custo seria algo, mas era o único jeito. A habilidade de criação dos Verge era limitada por aquilo que conseguiam ver. E eles não eram do tipo criativo. Então alguém teria que cuidar desta parte do serviço. Os pintores de Craftsmir foram os escolhidos. Uma alma também seria necessária. Se fosse digna, não apenas seria salva mas também se tornaria um com o fluxo de Starun no planeta. Se não fosse seria destruída e condenada à eternidade vagando como uma sombra.

Eu fui o primeiro voluntário a se tornar o primeiro da minha geração. O rei de Mithaurian naquela época. Eu enfrentaria os desafios. Emmarin, um pintor cego foi trazido à mim. Seus olhos reais foram tomados mas ele conseguia ver a energia com os olhos de sua alma. O primeiro desafio era inspiração. Minha aura precisava inspirá-lo a pintar um retrato de uma versão melhorada de mim. Um leão guerreiro ideal. Sua tinta e sua tela eram encantadas com Starun então nunca perderíam a imagem. O mesmo retrato que vocês usaram para me invocar foi produzido naquele dia. Então Malthus conduziu os procedimentos seguintes…

O segundo desafio foi o do espírito. Uma alma ou mente não conseguiria suportar as transformações no corpo do primeiro. Seria esmagado pela dor, angústica e medo então ela deveria ser removida de seu invólucro. Seria necessário o poder de Sete Verge, cada um em posse de um Cristal runa, pra destacar a alma de um corpo e mantê-la contida durante o ritual. Se formos pensar em bem e mal, da perspectiva do povo da superfície, Starun era a energia boa. Se a natureza da alma aprisionada por ele fosse similar à sua própria energia, eles se mesclariam e se tornariam um. A alma iria inserir sua entrada no fluxo de Starun com todo o conhecimento e força de vontade, junto com o que cada um de mim aprender enquanto sobre a terra como heroi. Com este retrato vocês podem invocar quantos de mim quiserem desde que tenham a quantidade necessária de Starun e força de vontade. Entretanto eu não consigo recordar o tempo que estive dentro da energia do Starun. Como se estivesse dormindo.

O terceiro desafio era o do corpo. Enquanto a alma estava fora, outros sete Verge seriam necessários, cada um portanto um Cristal Runa para transformar o corpo original naquilo que se lia no retrato com todo o poder que eles podiam drenar e entregar. Haviam limites de quanto o corpo podia resistir, não importanto quanto Starun fosse usado nele. Se fosse exigido mais do que ele suporta, iria colapsar. Se não fornecesse o bastante, a energia não utilizada e a radiação poderiam destruí-lo.

Apenas completando esses passos a alma poderia finalmente ser devolvida ao corpo, o que necessita os últimos sete Verge, e mais sete Cristais Runa. Uma vez completo o processo, os vinte e um Verge envolvidos estariam completamente esgotados. Eles precisariam de semanas, talvez meses de repouso antes de executar o ritual novamente. Mas pelo menos um heroi se ergueria. Mais forte e poderoso que qualquer outro. Único de seu tipo. Junto com seu retrato ele se tornaria a fonte. Precisa ser alimentado com Starun para se manter no mundo material. Se por qualquer motivo sua reserva de energia caísse para o mínimo, usaria o restante para se desconstruir e voltar ao fluxo de energia de Starun, de onde poderia ser invocado novamente pelo mesmo ritual que usaram para me trazer aqui.

Malthus era o único Verge forte o bastante para suportar e conduzir cada passo do ritual. Ele era o condutor de toda a energia envolvida, e parece que seu descendente está apto ao papel agora.

Livro III: A Primeira Grande Guerra – O Começo do Fim

Tudo estava bem antes da era das escavações. Conforme os locais de escavação de Starun foram se aprofundando por todo o planeta, as civilizações da superfície tiveram seus primeiros encontros com Yrians, e também seus primeiros combates. Sobrepujados pela força e velocidade da raça do subsolo, as primeiras armas mágicas foram construídas. Da colaboração entre Craftsmirianos e Technocratas surgiram as primeiras armas feitas de Mithral encantado com Starun. Com armas mais forte que armas comuns e também capazes de energizar projéteis com características diferentes, os exércitos de Mithaurian se tornaram adequados para resistir ao combate contra os Yrians e ocasionalmente vencê-los.

Cada passo dado em direção da evolução tornava Myridian mais dependente de Starun, que desencadeou um ritmo de extração frenético. Pouco sabiam que parte das propriedades mágicas do Starun mantinham o equilíbrio do planeta. Era um dos componentes que regulava campos magnéticos, gravidade, marés, retenção de magma sob a crosta e também mantinha recluso um poder além das forças conhecidas. Uma energia de putrefação e destruição, corretamente nomeada “O Fim” pelos antigos Merids. Quanto mais se escavava, mais forte ficava “O Fim”.

No começo houveram secas, perdas de plantações inteiras, aumento de acidez das águas, ondas gigantes, atividades vulcânicas… Ninguém relacionava essas tragédias à redução da proteção oferecida pelo Starun que se tornava cada vez menor. Qualquer área afetada pelo “Fim” agora continha uma nuvem venenosa e radiação remanescente, e criatura alguma conseguia acessar a área contaminada exceto os Yrians. Além disso, a energia negra os corrompeu ainda mais. Eles se tornaram mais fortes e mais ferozes. Em meio à escasses de recursos e os ataques constantes, conflitos entre vilas e clãs destruiram cidades inteiras.

Os Verge sabiam que eles eram os únicos que eram capazes de parar a iminente extinção da vida. Houveram tentativas de combater “O Fim” com magia, mas descobriram que a energia do “Fim” era imune a ela. Então tentaram equipar soldados e engenheiros com armaduras de Mithral imbuído com Starun, reforçadas com proteções e selos mágicos, mas nada podia resistir à radiação das áreas contaminadas. Engenheiros Technocratas perceberam que a expansão do fim estava relacionada com a baixa concentração de Starun no subterrâneo. Eles imediatamente pararam as extrações e comunicaram aos Verge que todo o Starun deveria ser retornado para o solo para restabelecer o equilíbrio e recuperar a terra. A ideia era de alguma forma entrar nas áreas afetadas, localizar pontos críticos de destruição e selá-los com Starun. Surge Malthus Prudens Aluminium.

Livro II: O Mundo de Myridian

Antes da guerra, Myridian costumava ser um planeta fértil, de recursos abundantes. Dois grandes continentes, divididos em sete biomas distintos, não distantes entre si, eram banhados por dois grandes oceanos, Algaro e Nimus, e cortados por diversos rios, sendo Hondur o mais largo deles. Alguns o consideram o terceiro oceano até os dias de hoje. No céu é possível ver um sol e três luas. Eles governam as marés e as estações. Também era uma terra cheia de minerais, tendo Starun como o mais importante deles. Ele é a fonte do Ether, o quinto elemento, que é capaz de gerar magia em todas as suas formas, e nas mãos certas, até produzir matéria.

Os primeiros habitantes da terra eram chamados Merids, um nome que carregam com orgulho. Possuiam uma sociedade baseada em clãs pacífica e organizada, e eram capazes de se proteger de adversidades climáticas com facilidade. Sua capacidade nata de explorador os levou aos extremos do planeta, o que os forçou a constantemente evoluir para se adaptar e isso originou várias outras subespécies das quais falaremos em breve. Mais tarde na história eles desenvolveram o primeiro reino, as primeiras armas e táticas de guerra.

Então habiam os Verge. As mentes mais brilhantes carregadas por corpos muito frágeis. Em sua maioria isolados em cavernas no início dos tempos, eles confiavam sua sobrevivência a abrigo, fogo e vestimenta. Eles tinham a habilidade de retirar a energia do Starun e moldá-la em qualquer coisa que conseguiam pensar, desde que com as ferramentas corretas para a tarefa. Eles deixariam coisas mundanas como buscar recursos, plantar, colher, construir e costurar para os Merids enquanto eles impulsionariam o mundo em uma era de magia. Eles se utilizavam da escrita para registros históricos, desenvolver magias e criar instruções para as gerações que viriam para continuar evoluindo. Eles misturaram Starun com outros materiais com o objetivo de ampliar capacidades e aplicações. Os seus eram organizados em uma sociedade única, liderada pelo ancião mais sábio vivo. Ele se tornaria o sumo sacerdote no templo e seu dever era garantir a segurança dos arquivos e que a magia seria utilizada para o bem. Seus descendentes metiços foram os primeiros artistas, engenheiros, artesãos e ferreiros.

Apesar do Starun poder ser encontrado na superfície, sua concentração de radiação mágica crescia conforme era coletado mais fundo nas profundezas. Esta foi a razão da era das grandes escavações começar. Mas o subterrâneo de Myridian abrigava outra civilização. Os Yrians. Desconhecidos para o povo da superfície, eles ascenderam da primeira grande cratera aberta pelos Merids mineiros. Apesar de serem muito maiores que um Merid mediano, eles eram também muito mais rápidos. Sua pele espessa e rígida, quase como escamas. Ninguém nunca conseguiu argumentar com um Yrian pois eles sempre avançavam com ira e atacavam até matar ou morrer. Até onde sabíamos eles eram apenas bestas incapazes de pensar ou fazer qualquer coisa diferente de matar e destruir.

A partir deste primeiro encontro com uma civilização inimiga veio a necessidade de mudar a maneira como Myridian estava organizada. Cada continente tentou ao máximo se agrupar e se unir, colocando suas melhores habilidades a serviço do planeta. A primeira aliança fez Myridian o que é até os dias de hoje…

Livro I: As Raças de Myridian

Cada um dos sete biomas tinham condições naturais e climático únicas, e a evolução tomou sua parte assegurando a sobrevivência através de mutações e combinações entre espécies. Quando A Primeira Aliança foi montada, muralhas e portões foram construídos. Isso gerou uma dificuldade para que novas espécies e mutações ocorressem já que a vida fêz seu curso entre fronteiras apertadas dali em diante e criaturas similares iriam formar pares com mais frequência.

Mithaurian foi fundada pelos Merids mais antigo e tornou-se o reino dos guerreiros. Eles seriam responsáveis por treinar novos combatentes e oferecer soldados treinados para proteger a todos. Seria comandado por um rei, reconhecido de forma unânime por cidadãos e soldados como o mais bravo e justo dentre os guerreiros. Se houvessem dois ou mais candidatos o assunto seria resolvido por concessão ou duelo. Combate nunca foi necessário, pois eles sempre foram humildes o bastante para reconhecer um superior. Eles conseguem treinar qualquer criatura a portar qualquer arma.

Porém alguns dos Merids não nasciam guerreiros. Seriam treinados em combate apenas o bastante para serem capazes de emboscar grupos de monstros que invadissem suas terras. O resto de seu treinamento seria voltado a fazenda e produção de tecido. Eles ficaram em Grymill, uma terra de planícies férteis de onde colheriam frutas, vegetais e mel. Este reino possuia a maior area e suas estradas levavam a qualquer lugar uma vez que eles seriam responsáveis por fornecer alimento e vestimenta. Eles também possuiam embarcações capazes de atravessar o oceano ou cruzar o rio Hondur.

Alguns deles também migraram para Agadeera, a terra das bestas. Na costa sul do continente banhado pelas águas salinas do Nimus, pântanos e mangues eram a paisagem mais comum. Nesses locais onde fungos, ervas e fogo-fátuos podiam ser encontrados. Alguns deles com propriedades mágicas. Os Merids que se estabeleceram por lá tiveram que se aprimorar sua furtividade uma vez que engajar os monstros nativos da área poderia levar a casualidades desnecessárias. Também era a terra onde a maioria dos elementais aparecia. Um tratado foi firmado entre Lunkao, o rei dos crocodilos e os elementais da água e das folhas. Isso permitiu a construção da Floresta de Agad, uma barreira mágica na forma de uma floresta densa que mantém monstros desconhecidos longe daquela parte do continente e aprisionou as criaturas do pântano dentro de Agadeera.

Basiliah foi a última terra ocupada por Merids. É um reino erguido para proteger as águas do norte e os filhos do rio Hondur. A convergência das três águas gerava um ponto carregado com os maiores perigos que poderiam vir do mar. Os nevoeiros espessos eram sempre mal sinal, pois a neblina trazia monstros consigo. Os habitantes de Basiliah aprenderam da maneira mais dura possível como lugar na água. Seus navios de batalha permaneciam em alerta constante para impedir criaturas de subirem Hondur.

Spellenrune foi construída para abrigar os anciões Verge. Eles seriam responsáveis por todo o conhecimento. Magia, história e pesquisa. Eles explorariam todas as possibilidades de manipulação do Starun para ferramentas e construtos para avançar o planeta no sentido da evolução.

Quando Verges e Merids se uniram, seus descendentes tiveram a mescla das habilidades de ambos, mas um lado sempre era predominante. Esta mistura trouxe diversos novos talentos à vida. Os melhores artistas que Myridian já viram. Ferreiros, pintores, dançarinos, Carpinteiros e muitos mais. Eles eram capazes de imbuir suas obras com Starun e dar a elas propriedades mágicas e aplicações inimagináveis. Eles foram enviados às montanhas onde fundaram Craftsmir, a terra dos artesãos.

O mais jovem de todos os Reinos é Technokrest. Alguns dos habitantes de Craftsmir descobriram Mithral, um metal que não era apenas muito resistente, mas também uma boa base para Starun. Eles encontraram sua maior reserva em uma região de pedras e decidiram se estabelecer lá para extraí-lo e desenvolver novas tecnologias com ele.

Último mas não menos importante, existe a lendária Yriartra. Lar dos Yrians, sua existência nunca foi provada, mas alguns dizem ser uma série interminável de tuneis que podem unir quaisquer lugares de Myridian através do subsolo. Em seu coração supostamente existem pedras negras de obsidiana, o mineral mais duro do planeta.

A invocação do Primeiro Herói

Nos tomou sete dias na forja e quase todo o Starun que os technocratas conseguiram coletar para criar 21 Cristais Runa. O processo na verdade é simples mas leva tempo. Enquanto estávamos todos nesta tarefa, os engenheiros de Technokrest criaram novas máquinas para nos escoltar de volta à Mithaurian. A habilidade que eles tem em se adaptar e criar numa falha em me encantar. Não apenas foram capazes de transformar mais duas naves de colheita em planadores de batalha totalmente equipados, eles conseguiram aprimorar suas armas e estrutura através da energia do Starun. É algo relativamente novo, disseram eles, mas uma lasca de Starun pode substituir quase todo o combustível necessário e ainda aumentar a capacidade dos armamentos em 100%. Além do mais ele gera menos de 10% do calor comparado a armas convencionais. Eu ainda me pergunto se aprimoramento de armas é algo vital ou prioritário neste momento, mas com certeza facinou Hertanyth. Ele tem uma paixão pelo combate e armamento que não é típico para um Verge.

Durante nossos preparativos para a jornada de volta, Danta’ar nos trouxe um recipiente. Era feito de uma liga metálica que nenhum de nós já havia visto. Reluzia um azul prateado e era mais robusto que qualquer outro metal.

“Apenas agora nós identificamos traços de Starun nesta liga. Mas não temos pistas de como fabricá-la. Apenas começamos a aprender como usar a energia do Starun, mas criar uma liga metálica estável dele é praticamente impossível. Estamos trabalhando nisso mas os resultados não são muito promissores. E não podemos avaliar como este foi feito. Mas vocês podem usar esta caixa para selar Cristais Runa. Isso bloqueará as emissões de radiação de Starun, então as criaturas do deserto não poderão rastrear vocês. Nós acreditamos que eles sigam o rastro desta energia. Depois que a forja foi acesa eles tem sido vistos permeando nossos muros externos. Tememos que eles ataquem logo mais.”

E então deixamos nossos novos amigos para trás por um tempo e seguimos de volta à Mithaurian. Foi realmente uma viagem fácil e segura, e não precisamos de qualquer intervenção de nossos companheiros alados. Danta’ar devia estar certo sobre o que trouxe as criaturas do deserto contra nós na primeira vez. Aproximando-nos dos portões de Mithaurian fomos recebidos por Albano em pessoa e sua alta guarda completa. Foi a primeira vez que os vi em suas armaduras de combate. Grandiosos e imponentes, seus peitorais emanavam luz enquanto o sol os atingia. As naves permaneceram próximo aos limites onde estavam para patrulhar dia e noite, enquanto corremos para as criptas.

“Seu chamado pelos novos despertos em Spellenrune funcionou melhor do que você pode imaginar! Depois de vocês partirem nossos guardas avistaram alguns seres aventureiros e pouco nutridos como vocês perdidos dentro de nossa floresta. Eles carregavam seus folhetos e tremiam de medo a cada barulho que escutavam. Recolhemos todos eles e trouxemos para Mithauriam em segurança. Haviam 46 deles. E todos aguardam no castelo.” disse Albano.

Entrar na sala onde eles estavam foi um choque. A exposição à quantidades imensas de Starun mudou Hertanyth e eu de formas que ainda iremos entender. Nossas auras expandiram e se conectaram com todos aqueles Verge, ao ponto de conseguirmos encontrar entre eles um que não despertou ainda e estava ali apenas pela aventura. Porém quando chegamos, ele foi atingido pela verdade e se tornou pronto para se unir a nós.

Precisávamos de 21 de nós. Hertanyth e eu selecionamos aqueles que aparentavam mais fortes e com maior controle de suas recém adquiridas habilidades. Nós entramos na cripta. Albano fechou a porta de latão e se pôs em guarda do lado de dentro enquanto sua guarda fazia o mesmo do lado de fora. Vinte de nós se posicionaram ao redor da mesa, cada um em frente a uma abertura. Cada um deles estava munido de um Cristal Runa e eu portanto um para o altar. Nenhuma palavra foi dita mas todos em sincronia total abastecemos as aberturas com os Cristais Runa. O atril do altar estava iluminado por energia de Starun e escritas rúnicas apareceram na forma de energia pura. Era diferente agora. Os símbolos se transformaram em palavras quando olhava para eles. Aquele era o ritual que eu precisava executar. Enquanto ergui a adaga cerimonial e dizia palavras em uma lingua que não compreendia, um forte raio de luz veio da câmara dos retratos. Albano foi até lá e para nossa surpresa trouxe de volta o retrato de Carlo. Brilhava tão forte que era difícil ver a gravura. Suas mãos tremiam. Atravéz de muito esforço ele foi capaz de pendurar o quadro em uma coluna no fim do palco. Eu dei sequencia ao ritual. Assim que li o último símbolo, uma explosão de energia cegou a todos. Um estrondo ensurdeceu nossos ouvidos e todos menos Albano foram arremessados no chão pela pressão do ar. Nós aos poucos recuperamos nossos sentidos e o vimos, em pé sobre o palco. O Brilho Dourado. Seu rugido era ensurdecedor. “Por Myridian!” rugia.

“Saudações a todos vós Verge! Sou Carlo, o Brilho Dourado. O primeiro a ser invocado e o último a ser dispensado. Se fui trazido a esta terra mais uma vez, então o mundo está em apuros. Primeiro preciso colocá-los a par do que realmente os levou por este caminho no qual irei me juntar.”

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