Mês: setembro 2018

Arcada, o Palácio dos Verge

Montamos uma equipe com soldados, Verge e máquinas de Technokrest fortes o bastante para nos levar ao sul, passando o cinturão de árvores de Mithaurian e novamente invadindo as planícies rochosas que cercam a cidade das máquinas.
Uma parada breve para abastecer nossos suprimentos e armamento nos fez encontrar com Albano e Neeno. Estava ferido e remendado, mas imponente como sempre.

“Caro Nettor, precisamos de seus serviços em Mithaurian. Novos Cristais Runa logo estarão prontos para podermos despertar os retratos que vieram de Spellenrune.”

“Encontramos mais conhecimento meu rei. Estamos partindo para o sudeste em busca de uma construção usada pelos antigos Verge…”

“…chamada Arcada.” – me interrompeu Neeno, sua voz era quase um sussurro – “Me lembro desde local jovem Nettor. Sua entrada está selada por magia antiga, você irá precisar da minha ajuda. Este templo conecta todos os outros que tenham sido tocados por Starun novamente. Com isso conseguiremos viajar entre a forja, o santuário e o hall dos títulos sob Spellenrune sem problemas.”

“Não costumo gostar de surpresas.” – disse Albano – “mas aparentemente nosso melhor plano é este. Vou reunir minha tropa e partir com vocês. Para Arcada!”

O Grande Atlas de Myridian

Enfim preciso registrar que encontramos um objetivo. Dos textos complexos escritos em rúnico antigo conseguimos a descrição do local onde os próprios Verge guardavam seu conhecimento. Descrições de duas grandes moradas banhadas pelo rio Hondur protegidas por esculturas feitas com magia misturadas com formas naturais que as ocultam na paisagem. Além disso temos as coordenadas dessas construções que parecem ser incríveis pelos textos.

Consultamos o Grande Atlas de Myridian e após fazer uma cópia fiel do mapa, marcamos as duas possíveis chances de encontrarmos mais capítulos do incrível Livro das Eras. O problema é que uma delas fica além de Grymill, terra há muito tempo devastada tanto pelos desastres naturais quanto por saqueadores em busca de recursos. Teremos que nos contentar com a segunda, localizada ao sul de Technokrest.

Myrandium, o Livro das Eras

Parei para descansar e escrever algo. Minha cabeça lateja com a quantidade de informação adquirida nestes últimos dias. Espero que os Verge que ficaram na Forja e no Santuário sob Mithaurian estejam avançando também. Com muito trabalho, separamos centenas de páginas de seus lugares procurando pelas mesmas marcas que Carlo me disse que existiam. Unidos, não são mais que um capítulo. Não sabemos nem quantos são, nem que a que parte pertence.

Mas temos três vezes mais informações do que antes. A expectativa entre nós que estávamos pesquisando é que tenhamos descoberto locais para encontrar o restante. Há descrições incríveis de um local aparentemente importante para os antigos. Alguns de nós também reconheceram o nome do documento que estamos tentando recuperar. Myrandium, o Livro das Eras.

Mensagem do Campo de Batalha

Encontramos mais Starun.

Nossos dias tem sido exaustivos, nossas forças pouco capazes de manter o inimigo longe e nosso avanço com o muro tem sido ineficiente. Albano agora usa minha lança para conseguir ferir as criaturas do subsolo, porém elas estão longe de ser nosso maior problema. Há outras criaturas que despertaram com o Starun espreitando ao nosso redor.

Precisamos dos retratos de Spellenrune. Precisamos que sejam despertos. Estamos mandando o que coletamos de Starun para a Forja em Technokrest na manhã do décimo quarto dia dentro das florestas. Albano está com a carga e está acompanhado por Neeno. Donna se manterá ao meu lado para protegermos a obra do muro. Avançaremos o quanto for possível.

O Primeiro Livro Perdido

Passamos horas, quase dias, imersos em páginas de pergaminhos e livros com símbolos que nenhum de nós já tinha visto. Eu e os outros Verge estávamos focados em tentar retirar qualquer novo conhecimento daquele antigo material. Nossos Heróis partiram para o fronte para ajudar na proteção dos operários que construíam o muro, uma vez que ao sul de Spellenrune as máquinas de Technokrest tinham pouco o que fazer em meios à floresta.

Quanto mais tempo observamos aqueles símbolos para nós abstratos, mais eles nos pareciam incompreensíveis. Um dos Verge sugeriu que passássemos a estudar dentro do Santuário, para tentar buscar pelos segredos dentro da mesma atmosfera que foram escritos. Em conjunto com esta ideia me veio a luz de colocar um de nossos Cristais Runa em um lustre que aparentava servir como candelabro para múltiplas velas.

A luz da energia azul que tocava tudo ao nosso redor passou a potencializar nossos sentidos e uma voz veio em minha cabeça. Carlo possuía a mesma visão que eu e seus pensamentos agora pairavam claros em minha mente.

“Vejo poucas páginas de um mesmo livro espalhadas em várias folhas à sua frente. Me parece que desmontaram o livro e espalharam suas páginas por esses encadernados. Precisamos de mais do que o que está aí.”

O Legado de Malthus

Após um interrogatório longo por parte do sumo sacerdote, imaginei tê-lo surpreendido com tamanho conhecimento oculto de nossos livros e pergaminhos no Templo Central e mesmo na Grande Biblioteca. Porém seu olhar me deixou confuso.

“Você fala do grande Malthus sem ter o conhecimento necessário meu jovem Nettor. Não apenas um grande Verge, um grande sacerdote e um grande pensador. O conhecimento que fora ocultado por ordem dele teve seu selo quebrado no momento em que a forja começou a funcionar.” – enquanto ele falava eu observava a quantidade enorme de novos livros em sua sala. Títulos que nunca ouvi falar, tamanhos desproporcionais encadernados com couro curtido e rabiscados com runas e símbolos mais antigos que a construção do próprio templo.

“E esses livros estavam trancados no santuário sob o templo?”

“Sim. Mas não podemos compreendê-los totalmente. Dois ou três pergaminhos possuem resumos e pouca coisa sobre esta linguagem está escrita em nosso material. Nem mesmo meus melhores pesquisadores conseguem revelar o que está escrito. Nada além do que está claro para nós: aquilo pertence aos Verge.

Não sabemos ainda qual a extensão dos poderes que esta energia nova pode lhes fornecer, mas se Malthus decidiu ocultar tudo isso como você diz, espero não estarmos trilhando um caminho que até mesmo ele considerou perigoso em sua época.

A necessidade agora é de encontrar mais conhecimento. Busque por estes livros o local onde seu antepassado costumava pesquisar. Quem sabe trilhar o caminho dele consiga nos iluminar mais do que esta nova energia que carrega consigo”

Evoluindo Carlo

Após mostrar a carta de Hertanyth a Albano, ele decidiu que já era hora que fazer uma visita a Spellenrune. Ele e eu fomos acompanhados de um pequeno grupo de Verge e soldados. Fomos escoltados por duas aeronaves, pelos três heróis que sobravam e carregávamos mais da metade do que restava de Starun.

Os anciões sabiam que estávamos indo. Estavam nos esperando na entrada do Templo Principal. Carlo sabia que tinha adquirido experiência suficiente de sua primeira batalha, a qual infelizmente apenas ele e Tusk tinham participado. O sumo sacerdote nos guiou até um Santuário do qual nunca tinha ouvido falar. Caminhamos por corredores intermináveis em meio ao subssolo do templo. A estrutura do local se assemelhava muito ao que vimos em Mithaurian. Tão logo quanto chegamos na entrada da câmara, o sumo sacerdote me entregou um pergaminho.

“Para este passo na evolução de Carlo, não mais do que um Cristal Runa será necessário. Mas cuidado com os perigos da ganância quando se tratar de evolução. Entre no santuário. Leia o Pergaminho. Tenha um herói forte. Após isso feito, há segredos que preciso revelar antes que escolham o que farão em seguida.”

Carlo se pôs no centro do santuário enquanto eu coloquei a Runa na cavidade abaixo do atril. Enquanto eu lia as palavras, a energia que emanava do Cristal o envolveu e após uma longa retomada de fôlego ele pareceu absorvê-la. Ele agora brilhava mais. Sua aura estava mais forte, assim como seu conhecimento e sua vontade.

“Uma xícara de chá?” perguntou o sumo sacerdote enquanto saímos do santuário…

A Carta

Caro Nettor,

Não posso expressar a tristeza que sinto pela maneira com a qual nossos caminhos se dividiram. Haviam coisas que precisavam ser descobertas por métodos que eu sabia que não seriam aprovados pelos outros. Como poderia eu em minha frágil forma me opor a você, O Poderoso Albano, todos os seus guardas e seus muitos seguidores? Vocês se tornaram uma seita, igual aos anciões que você costumava contrariar no Templo Central de Spellenrune. Enquanto vocês discutem e planejam, eu agi.

Tenha certeza que não estou contra vocês. Eu, assim como todos vocês, apenas espero salvar Myridian do Fim. Apenas escolhi um caminho diferente.

Mesmo assim, existe uma informação valiosa que preciso compartilhar com você. Nossos heróis vieram a este plano com poderes irrisórios comparados ao seu verdadeiro potencial. Toda vez que eles entrarem em combate, suas habilidades elevam-se ao ponto de estarem prontas para incorporar a experiência em seus corpos e tornarem-se mais fortes, rápidos e resistentes. Isso exige Starun. Pouco no início, mas chegará o dia em que mais Starun será necessário para isso do que para trazer um novo herói à vida. Escolhas terão que ser feitas. Há uma câmara do subterrâneo de Spellenrune. É de lá que dois dos retratos que vocês receberam em Mithaurian foram tirados. Os anciões não queriam compartilhar a existência daquela câmara, mas você terá que encontrar os pergaminhos e executar os rituais de evolução. Não é a única forma, mas será mais fácil para você, afinal, é aquele que sacrifica menos.

A Grande Muralha

Alguns dias se passaram desde que Hertanyth partiu e continuamos cheios de dúvidas sobre qual deverá ser nosso próximo passo. Engenheiros de Technokrest foram enviados à escavação esgotada para tentar encontrar pistas de como encontrar e extrair de novas reservas de Starun.

Carlo, Donna e Neeno começaram a mostrar sinais de enfraquecimento. Nosso racionamento de recursos está tendo impacto também neles.

Enquanto os Verge gastaram seu tempo pesquisando, Technokrest avançou no desenvolvimento de suas máquinas voadoras que agora nos ajudam a guardar fronteiras. Albano reuniu cada cidadão com forças para produzir de cada um dos três reinos livres e uma força tarefa está caminhando para envolver toda a terra com uma imensa muralha auxiliada por defesas e torres de vigia a cada quilômetro.

A Lei de Hertanyth e o Juramento

A expressão de relutância passada pelo rosto de Tusk durante a traição de Hertanyth tornou-se prova de que tudo que Tusk havia feito era contra sua vontade. Quando invocados e unidos a um Verge, heróis podem ser controlados por eles mas sua consciência está sempre presente e apenas agem se estão de acordo com o que foi proposto. Então agora toda vez que um herói é invocado precisa realizar um Juramento. Nunca deverá atacar Merids ou Verge que estejam contra O Fim, não importando o motivo. E combates entre heróis só serão permitidos em áreas de treinamento, masmorras e desafios criados pela energia do Starun. Esta será conhecida como A Lei de Hertanyth.

Agora temos que reagrupar e tentar avaliar as alternativas para prosseguir em nossa luta sem um de nossos heróis mais valiosos… se ao menos…

©2018, The Myridian Alliance